*Adega - Como é feito o vinho.*

Anuncie Aqui

Para definirmos o que é o vinho, seria correto, porém simples demais, dizermos que o vinho é produto da fermentação alcoólica do mosto de uvas maduras, pois o suco de uvas por um processo natural vira um líquido parecido com vinho. A ação dos fermentos (leveduras) transforma o açúcar contido no mosto da uva em álcool.

Visto por este ângulo percebe-se que todo vinho é uma substância alcoólica. Então por que existem no mercado alguns vinhos que se auto denominam não alcoólicos? Estes vinhos, não alcoólicos também passam por todo o processo de fermentação de um vinho alcoólico, porém depois de prontos são submetidos a um cozimento, com o intuito de evaporar o álcool do líquido. Presumo que um vinho depois de ser tratado com tanta agressividade não resulte em algo bom para o consumo, porém se existe no mercado, segundo meu marido, deve haver quem goste.

 VINIFICAÇÃO DOS TINTOS

 O vinho tinto é vinificado juntamente com as cascas, pois são elas que darão cor ao vinho. As uvas chegam a vinícola e passam normalmente por um desengaçador, que retira e descarta o engaço, ou seja, aqueles galhos que sustentam os grãos de fruta, pois se a uva for fermentada com os engaços, o vinho será extremamente tânico.

O tanino, que normalmente se localiza nas partes sólidas da uva (casca, sementes e galhos) é o responsável por aquela sensação de travo na boca ao ingerirmos alguns vinhos bastante encorpados (é como a sensação de estar comendo caqui ou banana verde). O tanino, estando equilibrado no vinho é uma qualidade bastante apreciada, é até mesmo necessária em vinhos de guarda, porém se estiver em desequilíbrio, pode por todo o trabalho de vinificação a perder, resultando em um vinho duro e áspero, agressivo ao paladar.

Quase ao mesmo tempo em que a uva passa pelo desengaçador ela é amassada em prensa pneumática e o mosto resultante é enviado para cubas de fermentação, onde o processo de fermentação tumultuosa tem início. Chama-se este primeiro processo de fermentação tumultuosa pois é extremamente violento, o vinho parece ferver dentro das cubas, devido a ação das leveduras. Neste estágio, é indispensável manter um rigoroso controle de temperatura, pois oscilações bruscas podem matar as leveduras que são extremamente sensíveis.

As cascas e outros sólidos contidos no mosto tem a tendência de subir a tona da cuba formando um “chapéu”, porém isso é extremamente prejudicial a bebida, pois além de dar um gosto ruim a bebida, não emprestarão ao vinho a sua cor, então a solução é empurrar constantemente essa parte sólida para baixo, ou então bombear vinho sobre ela.

Quem escolhe o momento de separar o vinho do mosto é o enólogo, de acordo com o tipo de vinho que ele quer produzir, se a opção for um vinho leve e frutado, deverá separar o mosto do líquido mais cedo, caso tenha em mente um vinho de guarda, encorpado e tânico deverá deixar o mosto mais tempo em contato com o vinho.

Depois de feita a opção do enólogo, o vinho é separado das cascas e sementes que eventualmente são prensadas.

A fermentação de um vinho seco termina quando todo o açúcar da uva é consumido pelas leveduras e transformado em álcool, daí então os tinto vão para uma segunda fermentação: a malótica. Neste processo, o ácido málico, bastante agressivo e responsável pela acidez exagerada de alguns vinhos, é transformado em ácido láctico, mais suave.

Terminada esta fase, muitos tintos devem envelhecer, mais precisamente devem ser educados, refinados, pois tintos novos são quase sempre agressivos ao paladar. A primeira fase dessa educação se dá em barris de carvalho, onde os vinhos ficam durante um tempo descansado ganhando mais maciez e eventualmente, sabores e aromas de madeira e baunilha.

Passada esta fase, o vinho é então filtrado e engarrafado, porém antes de ser enviado ao comércio muitos vinhos ainda permanecem descansando em adegas subterrâneas, pois o vinho depois de aprisionado em seu novo ambiente sem oxigênio (a garrafa), precisa se adaptar, o tempo de adaptação varia conforme o tipo de vinho, somente então são enviados para o comércio.

VINIFICAÇÃO DOS BRANCOS

O vinho branco é vinificado sem as cascas. O processo de vinificação é bem diferente dos tintos. É de extrema importância que as uvas cheguem em perfeito estado na vinìcola, pois o vinho branco é extremamente delicado.

Dessa maneira as uvas são colhidas e imediatamente levadas a vinícola, onde deve ser prensado com delicadeza em prensas pneumáticas especiais, com rigoroso controle de pressão, de forma a não extraírem a cor das cascas e quebrarem as sementes.

O mosto obtido desta prensagem descansa um pouco para decantar, ou passa pelo processo de centrifugação. Para que não comece a fermentar, o mosto é acrescido de anidrito sulfuroso, que age como um poderoso desinfetante, retardando o processo de fermentação, que somente poderá acontecer após a decantação total.

Depois de completada a decantação o mosto vai para cubas de aço inox, onde é induzida a fermentação. Nesta cubas de aço inox a temperatura é mantida entre 18º e 20º de forma a proceder a uma fermentação mais lenta, extraindo assim todo o aroma das uvas, propiciando assim a obtenção de vinhos mais aromáticos e frutados.

No caso de vinhos brancos secos a fermentação só cessa ao não restar mais açúcar nas uva, porém para a obtenção de um vinho mais doce a fermentação pode ser interrompida com adição de produtos químicos, normalmente a graduação alcoólica de um vinho suave natural é inferior a de um seco, normalmente quando isso não ocorre, e é um vinho barato, com certeza ocorreu adição de açúcar de cana ao vinho depois de pronto, caso bastante comum entre os vinhos de giro nacionais, que infelizmente agradam muito o paladar brasileiro, mas para pessoas que realmente apreciam um bom vinho é um ato de dasatino.

Os brancos antes de serem engarrafados, são filtrados e alguns ainda (como os feito de uva Chardonnay) passam por um rápido estágio em carvalho, onde ganham deliciosos sabores e aromas de tostado e manteiga queimada.

OBS.: Vale lembrar que os tipos de vinificação citados acima são cabíveis a vinhos finos, feito exclusivamente com uvas de videiras européias, notadamente de cepas francesas, portanto não tem nada a ver com a vinificação de vinhos correntes como os feitos em São Roque –SP, que são vinhos vinificados com uvas de videiras americanas, não próprias para a produção de vinho fino, resultando em vinhos extremamente desequilibrados e de péssima qualidade. Infelizmente é o caso de vinhos largamente consumidos pela população de baixa renda e sem cultura enológica (Sangue de Boi, Góes, Palmeiras, Caeté, Sinuelo, etc.)

Para se ter uma idéia só o custo de garrafa, rótulo e rolha de um vinho fino, chega perto de R$ 5,00 sem contar o líquido, pois com o mesmo uma garrafa de um bom vinho fino ficam em torno, para o produtor , R$ 10,00, então por ai vocês devem perceber que se o vinho é vendido a R$ 3,00 com certeza ele não deve ter qualidade nenhuma, porém infelizmente a grande maioria do povo brasileiro ainda não aprendeu a beber bons vinhos, mas eu tenho esperança que este panorama mude aos poucos e eu não veja mais tantas pessoas tomando vinho (seco ou suave) Chapinha, Góes, Sangue de Boi , Chalise e teimando que é vinho bom. Urgh!!! Eu não uso este tipo de vinho nem para cozinhar!

img1.jpg